Menina de 12 anos demorou a contar à família sobre estupro coletivo por medo e vergonha; ‘Chegou roxa em casa’, diz irmã
16/05/2026
(Foto: Reprodução) Menina de 12 anos demorou a contar à família sobre estupro coletivo por medo e vergonha
A menina de 12 anos que denunciou ter sido vítima de um estupro coletivo voltou para casa após ser violentada, mas, por medo e vergonha, não contou à família o que tinha acontecido.
“Ela chegou roxa em casa. Ela chegou falando que tava com cólica, botou até compressa de água quente na barriga, então, a mãe não desconfiou, e como ela sempre foi muito quieta, sempre foi de falar pouco, né, a gente, a mãe dela não maldou”, disse a irmã, por parte de pai, da vítima.
“Depois de muito a mãe dela insistir, ela falou que ela foi encontrar um namoradinho, que já tinha marcado com ele. E aí, chegando lá, não era só ele, e depois ainda chegou mais meninos. Eles se conheciam, são todos amigos”, acrescentou.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
Caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio
Reprodução/TV Globo
A Delegacia da Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande recebeu a denúncia na quarta-feira passada (13). O crime aconteceu no dia 22 de abril.
Segundo a polícia, a vítima, se relacionava com um outro adolescente. Ele a chamou para ir a casa dele, na Estrada do Tingui, em Campo Grande, na Zona Oeste, mas ao chegar lá, ela foi surpreendida por outros sete jovens. Todo o crime foi gravado por eles.
“Pelas imagens do vídeo dá pra ver ela recebe tapa na cara, na lombar, ela fica machucada. O que choca muito é que a menina tem 12 anos, e os envolvidos têm entre 12 e 16”, fala a delegada Fernanda Caterine, da Deam.
“Então, choca muito tanto a tenra idade dessa menina quanto também dos envolvidos, como esse ato é praticado e as consequências pra vida dessa menina.”
Nas imagens, desfocadas por envolver menores de idade, é possível ver que os adolescentes comemorando o abuso.
Estrada do Tingui, em Campo Grande
Reprodução/TV Globo
Segundo a polícia, o vídeo do crime começou a ser compartilhado e vendido nas redes sociais. As imagens chegaram à mãe da vítima, que procurou a delegacia essa semana.
“Ela não contou, né? Um dos responsáveis de algum aluno da escola levou diretamente pra mãe dela e aí foi quando a mãe dela ficou sabendo e foi perguntar a ela”, disse a irmã.
Um dos menores envolvidos no estupro chegou a vender o vídeo por R$ 5.
“É verdade, um deles estava vendendo por R$ 5. Quer dizer, a imagem dessa menina, exposição da intimidade dessa menina valia R$ 5”, destacou a delegada.
“Eu sou uma mulher já grande, formada, tenho a minha vida. Então, a gente imagina acontecer com a gente que anda na rua, pega ônibus, condução, não com uma menina de 12 anos, ainda mais com outros adolescentes, com outras crianças. É surreal”, falou a irmã.
A delegada Fernanda Caterine, da Deam de Campo Grande, no Rio
Reprodução/TV Globo
🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.
Seis menores apreendidos
Os agentes da Deam identificaram os oito menores envolvidos no crime. A Justiça determinou a apreensão e a internação provisória de todos. Seis já foram apreendidos. A polícia ainda procura os outros dois.
“Nós prosseguimos com diligências físicas tentando apreendes outros dois faltantes, e também diligências eletrônicas. Então, quem de alguma maneira armazenou, divulgou, ainda que não que sejam os envolvidos, eles vão também sofrer uma reprimenda penal”, falou a delegada.
A Justiça também determinou a apreensão de computadores e celulares dos jovens.
“A Justiça tá fazendo a parte dela, foi muito rápida. A Deam tá sempre do lado das mulheres e nos ajudando. Será que realmente eles vão ser reeducados? Será que dá pra reeducar alguém?”, questionou a irmã.
O RJ2 não conseguiu contato com a defesa dos outros citados.